quarta-feira, 2 de junho de 2010

Leitura ao alcance de poucos


Houve um tempo, na história da educação brasileira, que frequentar a biblioteca da escola era uma forma de castigo. O aluno que não se comportava bem tinha a obrigação de todos os dias visitar a biblioteca até conseguir ler uma coleção completa dos grandes clássicos da literatura. Quem já passou por uma prenda desse tipo hoje se regojiza com a aprovação da lei proposta pelo governo federal, que obriga toda escola a ter uma biblioteca e possibilita que o estudante possa desfrutar da leitura não apenas como um castigo ou obrigação, mas como um direito e, acima de tudo, um prazer. No Rio Grande do Norte, apesar de o governo do estado desde 2004 ter lançado o programa Biblioteca para Todos, elas estão funcionando em cerca de 35% das escolas.

A lei está sendo aplaudida por secretários de Educação, diretores de escolas, sindicalistas, estudantes e pais. Mas para atender às normas, no entanto, as instituições precisarão fazer algumas adequações, como oferecer e ampliar o espaço, além de adquirir mais equipamentos e material para pesquisa. Segundo a responsável pelas bibliotecas escolares da rede estadual, Erileide Maria Oliveira Rocha, até o momento, o governo já reformou cerca de 200 das 730 bibliotecas escolares. "Elas receberam acervos atuais, equipamentos adequados, ambientação e material didático, além de capacitação para profissionais. Em 2010 foram organizadas 42 bibliotecas e, atualmente, encontra-se em processo de licitação equipamentos para novas bibliotecas em 82 escolas. Já nas 153 escolas da grande Natal, segundo Erileide quase 100% têm acervo.

Nas escolas particulares do Rio Grande do Norte, já existem bibliotecas em praticamente todas, segundo presidente da Associação de Escolas Particulares do RN, Alexandre Magno. Em todo estado são 357 escolas cadastradas e autorizadas a funcionar e as bibliotecas são encaradas como um bom diferencial. Mas não basta construir prédios ou equipar bibliotecas, é preciso em primeiro lugar que atente para a manutenção do acervo e que a escola tenha uma política de incentivo à leitura. "Além disso, a escola tem que ser mais completa, a internet deve fazer parte de todo complexo. Os livros por si só já não satisfazem em termos de conhecimento, porque a internet se acessa o momento atual, ao contrário dos livros que são estáveis, retratando um determinado momento", disse ele.

Fonte: Diário de Natal

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